Definitely Maybe . Oasis

Quando pensamos em Oasis, e no que eles são conhecidos em Portugal, vem-nos imediatamente à cabeça músicas como “Wonderwall”, “Don’t Look Back in Anger” e, se o conhecimento já for ligeiramente maior, a “Champagne Supernova”. Todas essas músicas são da segunda fase dos senhores de Manchester, do seu segundo album – (What’s the Story) Morning Glory? – aquele que apenas tirou as teimas e os tornou em super estrelas mundiais, cujas músicas eram cantadas por toda a Europa e que lhes deram ganas de ir partir hotéis, snifar coca e beber Jack Daniels por todo o mundo.

Pouco conhecido senão no Reino Unido é o seu primeiro album, aquele que virou a cena musical inglesa do avesso e começou o fenómeno da Britpop. Aquele que foi na altura o album de estreia que mais rapidamente vendeu na história da música britânica (recorde ultrapassado recentemente pelos Arctic Monkeys), aquele que começou a lenda e é hoje considerado um dos melhores albums de sempre pelos leitores de, virtualmente, qualquer publicação daquele país – esse album é Definitely Maybe.

Numa altura em que a música inglesa se virou para dentro, e começou a batalhar o domínio americano dos últimos 10 anos, começou-se a privilegiar a música com sabor britânico, com sotaque britânico, com uma essência quase regionalista que permitisse galvanizar uma cultura numa séria crise de identidade. Os londrinos Suede começaram por partir a casa nos corporativos Britawards de ’93, e no mesmo ano os Blur lançavam uma ode à vida britânica e ao anti-corporativismo Americano com “Modern Life is Rubbish“. Entretanto uma pequena banda de Manchester, com um nome pouco original, fazia tournées consecutivas pelo país numa pequena carrinha alugada, ganhando aos poucos a curiosidade e a devoção de muitos.

Essa banda de nome pouco original era liderada por um tímido Noel Gallagher que escrevia canções em casa, sem qualquer propósito de quebra com o mainstream americano e sem qualquer ambição de ser o porta estandarte da cultura britânica. Ele simplesmente escrevia nos momentos de ócio, nos intervalos dos seus vários empregos na construção civil, inspirado nas suas bandas favoritas, no que tinha ouvido como miúdo de uma classe trabalhadora de uma Manchester empobrecida.

Com os pelos Beatles, Rolling Stones, T-Rex, Stone Roses (seus conterrâneos e figuras pivotais da Madchester scene), The Smiths e tantas outras bandas americanas e inglesas  como pano de fundo, Noel escreveu contos de ingénua ambição em ser uma estrela de rock, de aproveitar a vida com os amigos, de absoluta liberdade, de que não é preciso mais nada senão um maço de cigarros e uns copos (so true…), canções de amor sem qualquer tipo de intelectualidade forçada e, ocasionalmente, puras rockalhadas agressivas e directas como há muito não se via.

Esta universalidade do seu som, e de que como ao mesmo tempo que eram tipicamente ingleses não tinham quaisquer ambições intelectuais ou artisticamente evoluídas, criou-lhes uma legião de fãs enorme mesmo antes de lançarem o seu album de estreia. As pessoas queriam rock puro para se divertir, e era isso que os Oasis distribuíam em remessas de volume altíssimo e pela tão característica voz de Liam Gallagher, na altura com 19 anos, que foi a cereja no topo das composições de Noel.

Quando lançado, em Agosto de 1994, Definitely Maybe vendeu 86 mil cópias na primeira semana e com hinos como “Live Forever” – considerada por muitos a melhor música inglesa alguma vez escrita – rockers como “Bring It On Down e “Columbia”, tratos de rebelde jovialidade como “Cigarretes and Alcohol” e “Supersonic” e músicas de doce romantismo e melodia como “Slide Away”, era certo que este seria um dos albums definidores de uma década de mudança. É sobre os ombros deste que assenta tudo aquilo em que pensamos quando falamos em Oasis, e com o lançamento de Parklife (dos Blur) no mesmo ano, nada mais seria igual na música britânica – para sempre.

A primeira música colocada neste blog – Rock & Roll Star – é a primeira música desse album e dá o título a este vosso querido espaço. Também  “Cigarettes and Alcohol” também pode ser encontrada no post sobre os Beady Eye. Enjoy 😉

Live Forever:

Supersonic:

Slide Away (acústica):

~ por forthestarsthatshine em Setembro 1, 2010.

Uma resposta to “Definitely Maybe . Oasis”

  1. Definitely Maybe sempre foi e certamente sempre será o meu disco favorito dos manos Gallagher.

    Abraço

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