“The Suburbs” dos Arcade Fire a 2 de Agosto (tracklist + videos)

•Junho 20, 2010 • 1 Comentário

Depois de tomarem o mundo de assalto com os seus dois primeiros albuns, criando uma base global de fãs raramente vista numa banda de indie rock tão característica e de serem lambidos por, virtualmente, todos os cantos da imprensa musical , os Arcade Fire preparam-se para lançar o muito antecipado The Suburbs no próximo dia 2 de Agosto – começando pouco depois uma tour europeia que deverá concerteza passar por Portugal.

Há dias foi lançada a tracklist do album, com os nomes das 16 (!) faixas que o irão compor e foram até agora divulgadas quatro músicas (disponíveis abaixo). Com tanta faixa, não admira que se dêem ao luxo de atirar quatro exemplares bem antes do tempo.

Parecem-me no entanto um excelente prenúncio para aquele que se pode muito bem revelar como o album do ano. Algumas das músicas (atenção especial a month of may e the suburbs) têm aquele rock ethos que tanto me agrada, sem perder a diversidade instrumental e a ambiência rítmica que os caracteriza. A características voz de Will Butler aborda agora temas da vida suburbiana, contados na primeira pessoa dada a sua experiência.

Podem também encontrar a versão ao vivo de outra das musicas do novo album, “City With No Children“, tocada dia 6 deste mês em Montreal, AQUI.

Tracklist + Faixas
  1. The Suburbs
  2. Ready to Start
  3. Modern Man
  4. Rococo
  5. Empty Room
  6. City with no Children
  7. Half Light I
  8. Half Light II (No Celebration)
  9. Suburban War
  10. Month of May
  11. Wasted Hours
  12. Deep Blue
  13. We Used to Wait
  14. Sprawl I (Flatland)
  15. Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)
  16. The Suburbs (Continued)

Month of May

We Used to Wait

The Suburbs

Ready to Start

Pavement – what the fuck is lo-fi anyway?

•Junho 19, 2010 • 1 Comentário

Os Pavement nunca tiveram sucesso comercial considerável nos EUA, e nem o mereciam. Esta é uma banda que fazia as coisas à sua maneira, sem tentar agradar a um público específico, sem produções limpas e cristalinas das músicas e sem, no fundo, um rumo lírico ou consistência musical definida. Foram, diz-se, os principais representantes de uma estética chamada de lo-fi (low fidelity), caracterizada por uma despreocupação consciente com a perfeição da música e com o refinamento do seu som – factor omnipresente no seu primeiro album “Slanted and Enchanted“.

Apesar disto não ser prática rara, há algo que separa os Pavement de outros mais banais e lhes garantiu um estatuto de culto no seu país e além fronteiras, e uma tournée de regresso esgotada a uma banda que nunca sequer vendeu um disco de ouro, 10 anos depois de ter acabado. Há algo também que conseguiu influenciar bandas como os Blur (ver album Blur – 1997) a ignorar composições mais ambiciosas e a virar-se para elementos de guitarra mais básicos (song 2 anyone?).

Na minha modesta opinião, são as composições simples e a honestidade intelectual de Stephen Malkmus, que nunca é pretensioso ou arrogante e cujas letras crípticas têm tanto de nonsense como de inteligente. É a quase infantilidade de algumas das suas músicas e a soberba qualidade de outras, que pegam em ingredientes básicos e com eles fazem colagens e misturas, partindo-os ou integrando-os num caos controlado de melodias irresistíveis e refrões infecciosos. É música divertida, música sincera e interessante para apreciar e nunca intelectualizar.

Que se lixe o rótulo de lo-fi – eu nem gosto muito do Slanted and Enchanted – a magia dos Pavement está nas músicas que nos fazem sorrir ou que nos intrigam, mas nunca deixam de nos despertar sentimentos quase inconscientes, nunca soando forçados ou presunçosos. Apreciem. Se não gostarem, eles não se importam e eu tambem não.

Melhores albuns: Crooked Rain Crooked Rain e Brighten the Corners

Stereo, de Brighten the Corners.

Fin, de Brighten the Corners.

Range Life, de Crooked Rain Crooked Rain

Live#3 – Champagne Supernova . Oasis @ Knebworth

•Junho 17, 2010 • Deixe um Comentário

Um concerto mítico é aquele que não só se torna famoso como marca uma era, tornando-se um landmark cultural que perdura envolto em lenda durante gerações.

Os Oasis, nascidos e criados na grande onda que foi a Britpop, eram uma pequena banda de Manchester com ambição, uma pequena banda independente tal como todas as do seu tempo. O advento deste movimento permitiu que estas bandas se tornassem mainstream, acabando o reinado dos dinossauros da música inglesa e tornando-a mais interessante e variada.

Este concerto em Knebworth, mais do que um pico de sucesso dos Oasis que estavam a disfrutar do absoluto sucesso do seu segundo album “What´s The Story Morning Glory?“, constituiu o apogeu máximo da Britpop e o triunfo da música indie sobre os tais opulentos dinossauros musicais. A partir daqui não havia mais para crescer – atingiu-se  o pico do sucesso, o pico da audiência e marcou-se uma época com um concerto.

Em dois dias, 250 mil pessoas reuniram-se na herdade de Knebworth, tendo a procura de bilhetes excedido os 2.5 milhões, e ouviram as músicas de Noel Gallagher que ainda hoje definem os Oasis como banda, cantadas por um Liam Gallagher frequentemente MUITO alcoolizado (que diz inclusive não se lembrar desses dois dias)  e apoiados ocasionalmente por  John Squire (guitarrista dos Stone Roses).

Woodstock. Spike Island. Altamont. Knebworth ’96 faz parte dessa família.

(vídeo ligeiramente fora de sync, mas com muita qualidade)

Revolver. The Beatles

•Junho 16, 2010 • 1 Comentário

Para George Harrison, esta não é mais que a parte dois de Rubber Soul uma vez que são albuns deveras similares na sua concepção. Permitam-me discordar de Sir Georgie, mas a meu ver estamos na presença Rubber Soul + 1. É sem dúvida mais eléctrico e mais eclético e, embora não tenha hinos como In My Life, é mais regular na qualidade. Apesar de, pessoalmente, não ter qualquer preferência entre um e o outro, considero este um produto mais coeso, mais pretensioso e ainda mais adulto. Eis o rock em territórios inexplorados até então.

A modernidade ataca logo com “Taxman”, onde George se volta a superar e onde a secção rítmica é absolutamente brilhante (especial atenção ao baixo). Uma ode aos roubos do Estado, onde a personalidade é vincada na guitarra solista, que acompanha toda a música. Esta guitarra já se tinha visto nas anteriores obras de George, e é muito característica sua.

Segue-se um caminho totalmente novo, “Eleanor Rigby”. Uma das mais importantes peças de Paul Mccartney. Orquestra de cordas e voz, ingredientes mais do que suficientes para criar uma atmosfera triste, densa e de fortes emoções. Absolutamente marcante.

Pessoalmente uma das minhas favoritas, “I´m Only Sleeping” fala sobre os prazeres de dormir, e na distância que se sente em relação à realidade do mundo quando se viaja durante o sono. É uma canção que nos envolve na sua simplicidade, que nos aconchega na sua cor e vibrância. A voz de John é absolutamente encantadora e a honestidade do pedido que nos faz é encarecedora. Obviamente que não se podia deixar de referir o solo de guitarra invertida, cuja ideia surgiu por acidente, mas que mostra a vontade de explorar novos sons e novas maneiras de fazer música. E resulta, tal como toda esta faixa.

Yellow Submarine” dispensa qualquer tipo de apresentação, e “Love You To” é para mim uma obra indiana menor comparada com a que George mostraria em Sgt.Peppers. No meio destas duas há, no entanto, uma música que em muito lembra Rubber Soul. “Here, There and Everywhere” em nada fica a perder para as composições mais doces do albúm anterior. Paul Mccartney tem realmente um poder qualquer em fazer composições que nos fazem sentir felizes. Quente, serena e tremendamente romântica.

“She Said” é outra obra prima. Uma das melhores letras, numa das melhores baterias, numa canção que muda de ritmo a cada segmento, mas que ao mesmo tempo nunca perde integridade e algum exotismo. Se AINDA havia dúvidas acerca da genialidade de John Lennon como compositor, elas desapareceram aqui.

De “Good Day Sunshine” não sou particularmente fã, apesar do seu optimismo inabalável, não considero que seja particularmente interessante, mas de “Your Bird Can Sing” sou, especialmente na forma como nos agarra imediatamente com aquele duplo riff e nos leva a fazer uma curta viagem. A letra não é muito interessante, mas o alegre clima fala por si.

For No One” é uma triste música sobre a dificuldade em acabar uma relação, e a dificuldade em quebrar a ligação sentimental com a pessoa que se ama. A composição é interessante e serve de bom tónico para quebrar o optimismo das músicas anteriores.

Mas “Dr. Robert” sim, é verdadeiramente interessante. Primeiro porque é sobre um médico que prescreve drogas, depois porque se ouvem harmonias vocais completamente novas, e um segmento (“Well, well, well, you´re feeling fine”) que remete para o uso das referidas drogas. Tematicamente abriam-se anda mais os horizontes.

“I Want To Tell You” é o perfeito exemplo de música a acompanhar a letra. Apesar de não gostar muito, admiro a forma como a falta de auto confiança, a dúvida são acompanhadas por aquelas inversões no piano e pela desarticulada harmonia vocal que complementa a narrativa.

Outra música tradicional de Paul Mccartney é “Got to Get You Into My Life”, de que, francamente, não são fã, a não ser que esteja alcoolizado. É daquelas músicas interessantes de ouvir só por ouvir, num dia triste. Exactamente o contrário de “Tomorrow Never Knows”, a única música escrita sobre uma “trip”, sempre na mesma nota, e com os seus inúmeros elementos, algo aleatórios que nos remetem para a mente caótica de quem está, exactamente, no meio de uma viagem alucinogénica. A letra é inspirada no “Tibetan Book of the Dead“, de Timothy Leary, o padrinho do LSD. Apesar de parecer sempre igual, há pormenores a reter, como os pratos na bateria de Ringo e a produção na voz de John. Uma das músicas mais revolucionárias do seu tempo.

Para além deste conjunto de músicas, saíram ainda como singles “Paperback Writer” e “Rain”, as duas plenamente merecedoras de figurar no album, que são músicas de obrigatória audição para aqueles que apreciem este album – vídeos abaixo

Revolver é, sem dúvida, o passo lógico a dar depois de Rubber Soul. Mais experimentação, uma sonoridade mais moderna, novas temáticas e, sobretudo, a mesma qualidade musical, o mesmo appeal, a mesma capacidade de entreter e fascinar ao mesmo tempo. Considerado por alguns como o melhor album de todos os tempos, esta é, sem qualquer dúvida, a confirmação da genialidade criativa de uma banda que se construiu à volta de conceitos passados, e se catapultou definitivamente para o futuro com obras deste calibre. E melhor ainda estaria para vir.

O Regresso dos The Strokes – 4 anos depois

•Junho 12, 2010 • 1 Comentário

Na passada Quarta Feira, dia 9 de Junho, os nova iorquinos The Strokes fizeram o seu primeiro concerto em quatro anos, numa pequena localização em Camden Town – Londres, com capacidade para cerca de 500 pessoas.

Este concerto, que foi publicitado apenas pelo twitter da banda, serviu-lhes de preparação para os festivais de verão em que vão participar acabando assim a paragem que durava desde que fizeram a tour para o album “First Impressions of Earth“.

Sob o falso nome de “Venison”, que o público rapidamente adoptou, a banda tocou 18 das suas melhores músicas incluindo 8 do seu mais influente album: “Is This It“.

Depois de há 2 meses ter falado do regresso dos Libertines, o regresso dos Strokes é-lhe perfeitamente complementar, pois as duas bandas são faces da mesma moeda, como aliás é frequente acontecer no binómio Nova Iorque/Londres.

Surgidos primeiro, os Strokes com o seu primeiro album alteraram completamente a referência do que uma banda deve ser, que tipo de música deve fazer e de qual o visual que deve ter. Não sendo, de longe, tão exuberantes como os Libertines em palco, os Strokes redefiniram a noção de cool e do que é rock apaixonado e genuíno, fazendo uma nova geração de músicos pegar em guitarras, casacos de cabedal e sneaks.

A influência conjunta dos Strokes e dos Libertines deu origem a bandas como os Arctic Monkeys, os Kaiser Chiefs e os Franz Ferdinand, tornando-os duas das principais referências do rock dos chamados “noughties”.

É sempre bom saber que estão de volta.

“You Only Live Once”

“Juicebox”

“Last Nite”

(peço imensa desculpa pela qualidade, mas como podem imaginar não há melhor que isto ;))

Conan O’Brien também é Rockstar.

•Junho 11, 2010 • 1 Comentário

O fantástico e original comediante, ex-apresentador do Late Night with Conan O’Brien e do Tonight Show decidiu, depois de ser despedido da NBC por, alegadamente, as suas audiências não serem suficientes, aproveitar esta fase da vida para concretizar um sonho: Fazer uma tournée onde faz humor e toca com a sua antiga banda de rockabilly, incluindo alguns dos membros da banda do Late Night.

Adequadamente nomeada, “The Legally Prohibited from Being Funny On Television Tour” mostra-nos toda aquela excentricidade de Conan canalizada para a sua Stratocaster em espetáculos  que, até agora, têm estado completamente esgotados. Quem pensar que isto é apenas um show de stand up com meia dúzia de musiquinhas engraçadas pelo meio, desengane-se – pelo que pude ver das imagens e vídeos disponibilizados, isto é um grande show de rock, com imensos convidados de luxo pelo meio, como Jack White, Vampire Weekend, Eddie Vedder, Dave Matthews, Chris Isaak e Kid Rock.

Se alguém ainda tinha dúvidas de que este homem era um pensador fora da caixa, pela forma genial e louca como dirigia o seu programa, se alguém ainda tinha dúvidas de que esta sempre foi uma figura intelectualmente honesta e de genuíno talento, então que esta demonstração da sua veia rock sirva para dissipar essas dúvidas.

És grande Conan 🙂

Apesar da fraca qualidade de alguns, peço-vos que apreciem 🙂

– A *sua* própria versão de “I Will Survive” –

– Awesomeness. –

– Com o famoso líder dos Stray Cats, Brian Setzer. –

Live#2 – This Charming Man . The Smiths

•Junho 9, 2010 • Deixe um Comentário

Curiosamente, esta actuação foi tudo menos “live” e aí reside todo o seu interesse. Nascidos numa altura em que o rock inglês não produzia quaisquer artistas interessantes, e as tabelas eram dominadas por música electrónica ou artistas que faziam música para consumo em elevadores, os The Smiths conseguiram ser o farol salvador e a referência indie de uma das mais negras gerações do rock inglês.

Depois de ganharem alguma notoriedade na sua cidade natal de Manchester, foram convidados a aparecer no Top of The Pops, programa mítico que reunia a suposta nata da música inglesa. A 24 de Novembro de 1983, os quatros rapazes sentiam-se autênticos aliens no meio da massa de produção e artifício que os rodeava. Como era apanágio do programa, os “grandes artistas” iam fazer playback, apesar de o apresentador dizer sempre que era ao vivo, mas Morrisey, vocalista e letrista da banda, decidiu esse dia estragar-lhes os planos. Em vez de ir fingir que cantava com um microfone na mão, o exuberante Morrissey subiu ao palco com um ramo de Gladiolus, com o qual brincou ao longo da música.

Esta rebelde disposição foi um balde de àgua fria despejado no meio do morno corporativismo do programa, e abriu os olhos a muitos para a música de Johnny Marr e para as letras de Morrissey, que se haviam de tornar lendas.

Reggae e Punk – Espíritos Irmãos

•Junho 7, 2010 • 1 Comentário

Quando há uns meses escrevi um artigo sobre o nascimento do Punk, fui desafiado a descobrir a sua ligação com o Reggae e o quanto os movimentos se alimentaram um do outro. Dado o antagonismo sónico e a separação geográfica, achei que realmente seria interessante explorar esta irmandade conceptual, fruto de uma época socialmente conturbada e de uma urgência em divergir artisticamente do mainstream.

Esta ligação dá-se especialmente no Reino Unido, onde a difusão de artistas e música Reggae levou a um maior contacto com uma cultura minada mais pela brutalidade social e pela decadência de valores do que pela necessidade de inovação artística e intelectual dos congéneres americanos. Assim, quando surgiram os primeiros rebentos do movimento, sob a forma dos Sex Pistols, muitas das suas futuras figuras de culto (Joe Strummer e Johnny Rotten) já eram seguidores de artistas como Lee Perry e Bob Marley, adoptando a rebeldia subjacente ao apregoar de valores radicalmente diferentes dos vigentes na sua terra natal.

Don Letts e Johnny Rotten

Tal como o Punk gerou um tsunami de bandas, com a atitude DIY e a liberdade de propósito, o Reggae foi instrumental para mostrar que o comentário social pode ser levado ao limite e que as culturas de rua Inglesa e Jamaicana tinham, afinal, identidades comuns e se podem alimentar mutuamente. Os exilados e proscritos, brancos e negros, tinham tanto de diferente musicalmente como de comum idealisticamente.

Esta influência cultural foi visível em elementos culturais diversos. Aqui ficam alguns exemplos:

  • A faixa “Revolution Rock” do album London Calling dos Clash;
  • A música “White Riot“, também dos Clash, inspirada por um confronto entre a polícia e a comunidade negra de Londres (“I want a riot of my own“);
  • O facto de a NME ter páginas exclusivamente dedicadas à música Reggae;
  • John Peel, o lendário DJ da BBC Radio 1 – rádio estatal generalista – passava artistas Reggae como Misty in the Roots e Augustus Pablo;
  • As The Slits fizeram uma cover da “I Heard it Through the Grapevine” carregada de elementos Reggae.
  • A música “Uptown Ranking” do duo Reggae Althea & Donna foi número 1 nos tops Ingleses em 1978;

Usando da sua identidade própria – que ao longo dos anos, para melhor ou pior, pouco mudou – o Reggae influenciou toda uma nova forma de pensar a música. Apesar de esta época ter constituído um irrepetível pico comercial e de visibilidade, é uma influência que ainda perdura e que será sempre positivamente recordada como uma das marcas seminais de uma das mais instáveis e características etapas da música – o nascimento do Punk.

“The Stones were into Bo Diddly and Howling Wolf. While the UK had Reggae the US were getting into and being influenced by Hip Hop. Both Reggae and Punk was rebel music.” Don Letts

Colheita Nacional – The Poppers

•Junho 5, 2010 • Deixe um Comentário

Quando penso em bandas Portuguesas que se consideram Rock, vem-me sempre à cabeça miúdos que não sabem o que fazem, ou aqueles que pensam demais no que fazem e intelectualizam tanto a sua música que se tornam pirralhos condescendentes.

No entanto, talvez esta minha obsessão se deva ao facto de não gostar de bandas sem salt & pepper (aka choninhas), e colocar num pedestal todos aqueles que demonstrem algo mais do que o conjunto das notas que saem dos instrumentos. É exactamente isso que fazem estes Lisboetas The Poppers.


O seu som mistura a desconjuntada agressividade de uns Libertines (“Ace Face Gang”) com um refinamento pop quase Beatlesco (“A Bit of a Heartbeat”), colando estas duas dimensões num pacote muito metropolitano e muito Lisboeta. Esta é a característica mais distinta da banda, a genuinidade formulaica da qual se conseguem tão facilmente desconjuntar as partes, mas que consegue sempre atrair pelo fascínio da ousadia.

Não são tão crus como os Libertines, nem tão elegantes como os Strokes , mas vestem-se como modders que também soam a rockers, têm mais do que atitude em palco, arranham acordes e cordas vocais, fazem rock que se dança e que se sente – com sensibilidade lírica, musical e um cheirinho a Alecrim.

São os The Poppers, meus senhores, e julgava eu que desta raça já só havia 2 ou 3 exemplares por terras lusas.

Descubram-nos em: http://www.myspace.com/thepoppers



Live#1 – Since I’ve Been Loving You . Led Zeppelin

•Junho 1, 2010 • 2 comentários

A partir desta semana existirá nova categoria no blog, a “Live”, na qual todas as semanas colocarei um vídeo de uma actuação mítica, devidamente contextualizada, para deleite do espectador conhecedor ou não.

Em 1973, os Led Zeppelin estavam a chegar ao pico da sua carreira, fazendo tours a cada dois anos. Este concerto, disponível em DVD num site pirata perto de si, é perfeitamente demonstrativo do quão brilhantes estes senhores eram ao vivo, e porque foram considerados os reis do Stadium Rock.

“Since I´ve Been Loving You” reúne todas as características do hard rock puro, e da sensualidade gritante do blues rock que faziam.

Performances como esta definiram para sempre a figura da rockstar, e do que ela deve ser e transmitir.